Tá tudo aceso em mim! "Estamos no reino da palavra, e tudo que aqui sopra é verbo"
25.12.10
ADMIRAÇÃO
Um sol
Avisa da vida
Que dentro
Queima
Cá
Uma lua
Que lenta
Pousa
É céu!
E um cão
Que a tudo contempla
Guarda no olhar
Horizontes
De segredos
23.12.10
POEIRA
AQUELAS PALAVRAS NO PAPEL PARDO PELO TEMPO
PENDULAVAM NAS PÁLPEBRAS
PUERIS
UMA ESPERANÇA PERDIDA
ERA A POESIA
PAIRANDO
PELA FRESTA
ABERTA
DA PORTA
ERA A POESIA
ESSA
INSISTIA
BIRITANDO SUOR
NUMA ESQUINA
1.12.10
ININTERRUPTO
E o tempo todo
O tempo todo
E a cada instante
Nunca cessa!
Penso muito
E me perco
Por muito pouco
NOTA
Que chove
Nas pedras
As árvores
Silenciam
O vento
Momento de admiração!
É ela ao piano
Sou eu no encanto
É ela ao piano.
11.11.10
?
METADES
9.11.10
ATOR (para Odilon Esteves)

De alma
Brasileiro
De coração
Menino
De sorriso
Olhar
De mansidão
Poderia inverter tudo
E não haveria confusão
Nesse palco
Da vida
Nem basta uma rima
Para tanta estrela
Que ele solfeja
E excita
É ator,
Um Thor
Que na boca
De cena
Arrepia
A cortina
Que tímida
Se abre
Em aplauso
4.11.10
PEIXES
POMBOS
19.10.10
ASAS
Num relâmpago
Surgiu
Vestida De luz
Deixei-me pousar
Tão leve
Levantei vôo
Em seu olhar
Desejos
No escuro
Sem guia
Desbotei de tanto sol.
17.10.10
SUSPENSÃO
15.10.10
FRAGILIDADE
Leve
Que flutua
Ao vento
Ao sopro
Ao sussurro
E pousa
Quieto
Arfante
Em superfície
À espera
À espera
À espera
Do imensurável
12.10.10
É
Como onda faz com mar
Veio devagar
E cresceu,
Me tomou
Inteira
É, como luz de vela
Me acendeu
E no centro da chama
Despertei
Cílios ao vento
É, cá estou
Erguida
Ao sol
CÃOPANHIA
11.10.10
LUTO

A poesia chora sangue pelos filhos teus que a negam desavergonhadamente.
A poesia entra em coma e o pau come.
A poesia clama paz e o povo silencia em guerra.
A poesia desconhece poetas. Poetas?
A poesia é andarilha e faz questão de fugir do caos
Do cais
Dos ais.
A poesia não espera.
A poesia é festa
Em época de lamentação.
A poesia é a feliz contramão.
A poesia me salva
Me samba
Me lambe
Me guia
Nessa época de escuridão.
9.10.10
PARTICULA(R)
Que as achas voltavam a ser árvore
Crepitavam oxigênio
No instante exato de purificação
Pela testa escorria
Pelas pernas euforia
E era tanto, tanto
Que o redor desmoronava
Intacto
7.10.10
DO CÉU
Grita o céu
Com seus pulmões
Inflados
Por segurar
O fôlego
Vez em quando
Tosse
Na cabeça
De quem passa
E apressa
O passo
Árvores dançam folhas
Gotas
Verdes
E qualquer calha
Vem a calhar
Como vento
Em asas
De pássaros
4.10.10
CLARÃO
E ver o tempo parar
Em seus movimentos
Milimetricamente
Desconexos
Ir
Sem medo
Ao desconhecido
Das cores
Entender
O que não se explica
Confundir-me
Em razão
E perder-me
Lunática
Me encontrar
Num cumprimento
Olhar-me nos olhos
Piscar
Num segundo
E me expor
Na ação
Descontínua
Do caos
Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós!
Dona D. é isenta de qualquer defeito, desconfio nem ter celulites tamanha idoneidade. A melhor em todos os debates, disparada a melhor! Galopa como puro sangue molusco. Aiou Silva!
A cidade está imunda e a ladainha continua por mais um mês. Nunca desconfiem do poder da oração, foi ela que trouxe o descabido 2º tempo. De nada adiantou tantos megafones cantando vitória. Já não se tem Nostradamus como antigamente.
E vi tanto policiamento em frente ao palco armado para comemorar o 'campari' (enquanto as satélites sofrem por falta de segurança), vi tanto confete (e nem é carnaval), ouvi tantos planos individuais (quando se deveria pensar no coletivo)... E NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESSE PAÍS tantos rabinhos foram enfiados entre as pernas. E a onda do Mar vai ser suplício para Iemanjá!
1.10.10
JABUTI

Andava
Sem parar
Para chegar
A algum lugar
O Jabuti
Era sábio
Em sua lentidão
Era sábio
Em sua exatidão
Sem trovão
Ele abraçou
Menino Zito
O escritor
Do meu coração
29.9.10
TERRITÓRIO
da paz
externa
traz pontes
e multidões
são aviões
velozes
rompendo nuvens
em busca de terra
firme
no buraco do olho
na asa da borboleta,
na pele áspera e
austera
(que pousa sobre a outra a cicatriz)
27.9.10
ALEGRO
26.9.10
ALGUÉM? (para Raissa Abreu)
Do expediente
Haviam sonhos
Que lustravam
Balcões
De padaria
No escuro
Do expediente
Havia sol
Nos batons
E badulaques
Das meninas
Que faziam-se mulheres
Enquanto meninas
E era tanta festa
Silenciosa
Que de um trovão
Inesperado
Brotava lágrima
22.9.10
PIANNA
Sonoro
Que acorda
Com tônica
Minha pele
Representa
Aleatoriamente
O sistema
Que me rege
Nessa lua
Caio atonal
E a harmonia
Como a uma pintura
Impressionista
Libera
Os contornos
Que compassos
Constroem
Em escalas
Meu ♥
16.9.10
ENCANTO
13.9.10
INFUSÃO
Qual torrão de açúcar
E quando isso acontece
Não é preciso cerimônia
Basta sentir
O doce
Que se esconde
Ao fundo
10.9.10
SEU ATAÍDE
Me aborda
E oferece uvas,
Pergunta do bebê
E o bebê
É minha cadela
Me conta de outra época
Lembranças do internato
Do latim
Da feliz reclusão
Casou-se aos 30
E nunca mais voltou para casa
Hoje é visto
Garboso
Com sua cabeleira
Branca
A sorrir
Simpático
'Qual o seu nome?'
_ Anna
'O nome da minha avó!'
E assim
Continuamos
Nossos caminhos
Opostos
De mãos dadas
9.9.10
LÁ
Sigamos
Suamos
E a falsa segunda
Esparramada
Espreguiça-se
No sonho
Que doura
O olho
* para Carmen Sílvia Presotto
http://vidraguas.com.br/wordpress/
2.9.10
ATEMPORAL
De clarão
A lembrança
Causará
Cegueira
E abrirá cicatriz
Do sangue:
Jorros
De açúcar
A tornar o instante
Encorpado
Coágulos
De vontades
Interrompidas
Que plantaram
No solo
Da pele
Uma esperança
Em coma
A sanguessuga
Aventura
Da vida
Prossegue
Post Mortem
Em escalas
De cinza
É quando os olhos
Ardem
O esforço
De ver
E a lágrima
Derradeira
Cairá
Num dia
De clarão
Enquanto da lembrança
O coração
Será cego
1.9.10
ENTÃO
E agora Anna?
O encanto acabou
Como surgiu:
Avassalador
O livrei
Do meu corpo
Como amarras
Fortes
As mesmas
Que quis
Em nossas peles
Quando havia lua
No baixo do céu
Anna mudou
Para longe
Para perto
Dentro
De si
PASSAGEM
Do trem
Sobressai
O silêncio
E os pedaços
Dos diálogos
Ao telefone
O sol
Entra,
Desimpedido
O calor
A imagem
Me entontece
Estou prenha
Das gentes
31.8.10
BREU
Silenciosa
Grita
Nas frestas
Nos cantos
Nos vãos
Em vão
A impotência
Perante
O notívago
Apago a luz
Para ver melhor
E a casa
Finge
Que dorme
* em diálogo com 'Sobre a Casa' de Fabiana Motta
http://nexogrupal.blogspot.com/2010/08/sobre-casa.html
28.8.10
LONA
uma peneira seria mais elegante
minha gentileza travestiu-se do indelicado
pequei sem ser santa
quando propus abrir meu coração
e despejar em suas mãos
gotas de tranquilidade
me reconheço
ao desconhecer
e o amanhecer trouxe trovoadas.
desculpa por eu ser má
malandra em corda bamba
nem sempre o circo é feliz
não sou domadora
nem trapezista
estou mais para escafandrista
27.8.10
OUTRA ONDA
26.8.10
SUSPIRO
As vistas
Ficarão mais cansadas
Que o habitual
As pernas
Dançarão
Bambas
Pelas ruas,
As mãos
Serão fracas
Perante
Os copos
Na face: rugas
Cavidades da vida
Marcas do tempo
Coração em pêndulo
Subitamente
A memória
Falhará,
Fechará
O cerco
Irão amores
Amigos
Mementos
A espinha
Ereta
Curvará
Em cumprimento
Eterno?
E a fragilidade
Será sem-vergonha
Inevitavelmente
Cairá em leito
Num sopro
Horizontal
Será fatal
Por ter sido
Humano
INTERVALO
O momento
E a demora
Arrasta
Brusca
A chuva
Desaguará
Em bifurcações
Ilusão?
No reverso
Continuarei
Meus passos,
Os melhores
E de lá
Versarei
A teus pés
O que seguro
Firme
Entre
As mãos
EU LUA
Está cheia
Lotada
De sentimentos
Que transbordam
Aos olhos
O branco
Que contrasta
O que é (ou está)
Turvo
Instantes
Duradouros
De admiração
Que nos engole
Absorve
Permito-me
Antropofagicamente
Além
Dos ossos
Que sustentam
Meus pilotis
Frágeis
Seguimos
Imanadas
E a estrada
É traçada
Ao vivo
24.8.10
RIMA
no cio da carne
nada fere
tudo arde
a flor dos poros
no fogo da língua
abre os olhos
fecha a míngua
o susto do fôlego
na cicatriz da unha
traz o trôpego
afasta a munha
a trança das pernas
no umbigo do mundo
solta as feras
...
e as prende no fundo
23.8.10
TRILHAS

Enquanto a música tocava aguou as plantas, fez brigadeiro, arrumou a mochila, calibrou os pneus. Enquanto a música tocasse seria feliz.
Pegou a estrada e saiu sem rumo, sem companhia, sem olhar para trás.
Não fazia sol, nem chovia. O céu estava nublado e isso a confortava como se atingisse um equilíbrio temporal. Algo tinha de ser controlado nesse acaso, pensou. Acelerou.
Chegou ao começo da noite a seu destino, mas não sabia que o sentido de destino seria prolongado, se daria conta no instante em que o sol queimasse seus cílios e o mulato lhe beijasse a boca.
Quinze anos passariam até que ela saísse outra vez, dessa vez um pouco cansada, um pouco feliz e muito confusa.
Voltou ao lugar de onde saiu e não reconheceu nada, nem a parede descascada, nem o cão que lhe afagou os pés, nem a música que ainda tocava no mesmo ‘headphone’. Só soube estar ali quando viu a fotografia na estante. Estava amarelada, mas os lábios do mulato ainda ardiam.
Desligou a música, chamou o cachorro para dentro, mas não conseguiu dormir.
21.8.10
QUILOMBO
Abraça
O tronco
E sangra
O chicote
Corta
O couro
E Costura
As grades
Gritam
Gemem
Grunhem
E um sol
Aponta
Dentro
Dos olhos
O amanhã
Azul
Sedento
Por suor
Livre
A escorrer
Na pele
Negra
O sal
Da vida
.
O negro
Semeia
A semente
E sorri
A água
Apazigua
A alma
E a alimenta
As pombas
Pairam
Pousos
Poéticos
E uma lua
Recolhe
Fora
Das mãos
O ontem
Cinza
Minguado
Por seca
Acorrentada
A marcar
Na pele
Negra
O doce
Da morte
19.8.10
18.8.10
ESTIRPE
Rumo ao insustentável
Tive convicção
Ao longe
Avistei
No espelho
Meus olhos
Distingui:
ao invés de pés,
asas!
17.8.10
EIXO
No meu centro
Inacabado
À sombra
Do futuro
Essa nuvem
Carregada
De imagens
Ao som de um disco
Ininterrupto
Respiro
Expiro
Aspiro
Mundos
Mundos
E mundos
A cabeça não dorme
O coração não descansa
Operários
Sagrados
Em territórios mundanos
A lua pisca
Para informar
Que está viva
Viva
Dentro
Daquilo que mato
Por subir em tentação
Sem salto
15.8.10
AZULZIM
SOLAR
Se põe
Majestoso
Na frente
Dos meus olhos
Não se acovarda
Diante
Meu suspiro
Cambaleante
Seu brilho
Me ofusca
Sinto-me
Gueixa
E a estrada
Roda
Minha contemplação
Ele puro
Fogo
Eu corrosiva
Água
Nessa tarde
Que anoitece
E aqui
Dentro
Acontece
14.8.10
SÚBITO
E é como o sol
A romper
Silencioso
A euforia
Dos dias
A pele
Morena
Acalenta
A lua
E minhas tetas
Me alcança
Com seus
Braços
Me estico viável
Incansável
ESTRANHAS
Criaturas
Que se reconheceram
À meia luz
Da lua
Quando o sol surgiu
Permanaceram
Estranhas
E no clarão
Dos olhos
Estranhas
Se viram
Espelho
Raios nas entranhas
De tanta estranheza:
Siamesas
NUDEZ
Brindam
Com suor
O encontro
Simples
Como essa poesia
Que me despe
Corada
No sexo
Das entrelinhas
Tudo
Menos mudez
Grito mãos
Falo olhos
Sussurro letras
Coito
Poemas
ANDARILHA
me resta
arrumar
a mochila
e mudar
de você
em versos
curtos
sumo
sem destino
na interrogação
me encontro
nua
e minha crueza
tem sabor
amargo
é o sol
após chuva
que alivia
castiga
o tempo
ausente
de segundos
no coração
vagabundo
13.8.10
MANDINGA
12.8.10
11.8.10
VIDA
A sopro
Assopra
A sopa
Esse caldo
Ora espesso
Ora ralo
Que desce
Entala
Na goela
De brisa
A ventania
Sacode
Ventanas
Essas garras
Vezes secas
Vezes molhadas
Que grudam
Escorregam
Nas mãos
E a chama oscila
10.8.10
AMÉM
Pequei senhor!
Cometi
Tudo
Livremente
Difamado
Com unhas
Dentes
E espasmos
Foste tu
Ou os homens
A inventar
Regras?
Quanta blasfêmia!
Nem sei tua cara
Ou se posso ter-te
Coroa
Pequei
Com elegante
Auxílio
Dos Deuses
Meninos
Assim conquistei
Mundos
E meninas
Meu céu
Nunca perdeu
A exuberância,
Não fui castigada
Em cruz
Cruzes!
Quiseram
Que eu dançasse
Em fogueira
Mas as fagulhas
Que ejaculei
Explodiram
Em estrelas
9.8.10
URRO
Minhas cicatrizes
Com os dedos
Os mesmos
Que acariciam
Seu nome,
O mesmo
Que escrevo
Sob minha pele
Cai no sangue
E me coagula
Sou toda apetite
Da boca para fora
Por dentro
Fome
Urro
CORUJINHA
7.8.10
6.8.10
ESPERA
Uma fera
Que me faz
Bela
A cortar
No ar
O silêncio
Rompo-me
Faço-me vento
Em altos
Edifícios
Sem janelas
De proteção
Lanço-me
Colho-me
Frutos
E desperdiço
O sumo
Reservado
À sua boca
Vermelha
Vermelho
É a cor
Que me sobe
A face
Ao não te ver
COBIÇA
Pois quero algazarra
Encaixada
Em meus poros
De tão molhada
Estou seca
E a língua arde
Dispense a bossa
Pois quero samba
Derramado
Em meus pêlos
Insone
De tanto olhar
E a cama pulsa
Durma o depois
Pois quero o agora
Agora
Em minhas mãos
Tempo
De tanta espera
E a água escorre
5.8.10
POETSIA
Está viva
Nos olhos
De quem a devora
Aos olhos que a segue
Aos olhos de quem a escreve
A poesia
É minha
Sou dela
E no entanto
Somos livres
Intrinsicamente
Livres
A poesia
Me guia
Eu a cego
Ela dança
Me perco
Em sua trilha
Ela ilumina
Eu danço
E nessa dança
De ritmos
Variados
Somos par
Ímpar
Imãs
De pólos
Invertidos
Que se abraçam
PEQUENA CRÔNICA DE QUINTA
A velocidade dos passos narrava os causos. Ela quer ser veterinária desde os dois anos e quis saber o que penso dos animais em extinção.
_ Tem um elefante com chifre que não sei o nome, igual ao do filme A Era do Gelo.
_ Ah, o Manny? É um mamute!
_ Você já viu um?
_ Não!
_ Deve existir só uns cinco no mundo todo... Na verdade nem deve existir mais.
Ela me contou que a mãe viu uma reportagem, mas que não sabia se era reportagem, mas passou na televisão, sobre pessoas do bem que arrancavam os chifres dos bichos e das bichas e deixavam no chão para que os caçadores encontrassem e, dessa forma, não os matassem.
E a bondade humana planta reflexão nas cabeças dos miúdos.
4.8.10
CIGARRA
3.8.10
PEQUENA CRÔNICA DE TERÇA
Caminho pelo Setor Comercial e perco o norte, cai dos meus bolsos sem emissão de barulho. Perco qualquer sinal de alegria, alheia, se abaixo para enlaçar o cadarço. E alguém procura estacionamento na cabeça de outro alguém. Um camarada leva um caldo de algum cana. Um flanelinha ajeita a gravata. Um pastel é sacudido pelo vento.
Caminho pelo Setor e setas me acuam. Não cruzo as pernas e assumo estar na dança 'prostitulation', mas ao abrir o espelho entendo que nada pode ir contra a própria natureza. Com as pontas dos dedos sinto as protuberâncias das espinhas que visitam minha testa, atestado de que não tenho moldes, minhas costuras eu mesma traço. Alguém buzina e me traz profunda saudade do Abelardo. Me traz vontade de ir para casa fazer chacrinha.
2.8.10
PEQUENA CRÔNICA DE SEGUNDA
Penso nos títulos que o sistema impõe como se fossem papéis de cartas, selos, figurinhas, tampinhas, carrinhos... Algo 'colecionável', sem mencionar que possuir algo, em série, é sempre temporário. O que não o é?
Existe uma ostentação de identidade entre o emissor, a mensagem e o receptor, muitas vezes o questionador da tão usual ‘o que você é?’. Deve ser por isso que o mundo é pequeno em sua voracidade. As pessoas acreditam ser o que são. E muitas vezes o são mesmo, mas são só isso.
Não carrego emblemas, almejo a cada dia mais céu para minha liberdade. Se posso ser o que quero, para que me ater a só uma possibilidade, ou a duas, ou a três quando posso ficar de quatro sem receios? Ser uma aventureira, ser poeta, ser malandra, ser atriz... Ser brincando de ser sendo.
Sou uma novidade a cada estação, um rompante a cada instante, uma arte a cada olhar. Sempre verde! Em constante estado permanente de parto. Se "nascer é uma alegria que dói", a dor é uma alegria que nasce. Minhas dores são tatuagens, marcam com prazer. E com prazer é mais caro, meus caros.
TRIZ
Em papéis
Voadores
Que transitam
Livres
Meus pensamentos
De galho em galho
Eu cipó de mim mesma
Com raízes
Mutantes
Nos fios
Curtos
Do cabelo
A um triz
De precipícios
ESPELHO
Estavam mais negros
Jabuticabas
Desvairadas
A correr
Pela boca
Engoli-me
Toda
Sem saber
Meu tamanho
31.7.10
CARDIOGESTIONAMENTO
Levei marcha ré
É hora de pisar
Fundo
No freio
O amor
Não tem ponto
Morto
MANHÃZINHA
28.7.10
CORAÇÃO DE TIA
Dentro do útero
Mas preenchia
Meu coração
De tal forma
Que a beleza
Da lua
Que irradiava
A noite
Tornou-se coadjuvante
Já era tão meu
Sem ser dele
(Ou dela)
Menino
Ou menina
A pessoa
Responsável
Por minha alegria
De tia?
26.7.10
TURQUESA
Hoje o céu está assim
Absoluto
Em sua soberania
Espalhafatosa
O saúdo
Como em dia de Pátria
Com o queixo
Na linha no horizonte
Temos nossos segredos
Atravessamos
25.7.10
COERÊNCIA
Explode
A menta
Que me atiça
O beijo:
Hálito
Na caneta
Explode
A tinta
Que me atiça
O verso:
Hábito
Com a boca
No mundo
Da palavra
Passo a passo
TRINDADE
O alecrim
Das cantigas
De roda
E bailo
A vida
Solto a fita
Do presente
E revelo
O espelho
A me revelar
Abro a janela
E semeio
O futuro
Florido
Sou o que fui e o que serei
Amém!
24.7.10
BOM
O que fica
Na vontade
Aquilo que se estica
Em braços
No futuro
E é anunciado
No pôr do sol
O sorriso riso
Que paira
No ar,
A contradança
Não dançada
A mala por fazer
O penteado por desarrumar
O bolo
A ser cortado
De chocolate,
A música
A ser ouvida
De verdade
O filme marcado
O telefonema esperado
O orgasmo desejado
O chinelo em casamento
A paz em tormento
O zero em investimento
Só é bom
O que vai
Na saudade
FAÍSCA
No meu corpo
Mandou ver
Tombei
Simplesmente
Tombei
Dancei
A noite toda
Com você
Refletida
Em meus olhos
23.7.10
NHAC
DESALINHO
Confortavelmente
Dentro
De um pensamento
Que surgia
Em horas impróprias
Cabia
Dentro
De mim
Tal motivo
Por não
Acontecer
Fora
Fora isso
Tava tudo bem
Em desordem
22.7.10
ESBOÇO
A rabiscar
A vida
A morte
E os avessos
Todos
Que coçam
Meus pensamentos
Num corpo
Que pula
Expurga
Vibra
Acomete
Fluidez
Às vezes
Não dou conta
De mim
Escapulo
De minhas mãos
Fujo
De meus pés
Cego
Meus olhos
(Às vezes)
Noutras
Encolho-me
Em coma
Nos meus escuros
Detalhes
Apago
Minha luz
Por vislumbrar
Na penumbra
Rastros
Dos meus anos
Que dilatam-me
Os poros
Em pêlos
Negros
Pelo sim
Pelo não
Continuo
A rabiscar
A vida
A morte
E os tropeços
Poucos
Que abstraem
Meus sentimentos
21.7.10
PONTEIROS
De nossas próprias mãos
Arrancaram-nos
Sem que percebêssemos
Pois estávamos distraídos
Com o banal
Que suja as pontas
Dos dedos
O tempo passou
E passa
Quando acreditamos
Em sua inércia
Somos títeres
De deuses
Invisíveis
Que duelam
Com fantasmas,
Somos marionetes
À mercê
De uma mercedes
Conversível
Da sorte
Dos dados
Dos passos
Apressados
Estamos atrasados
Lá fora o sol
Urge
Quando engavetamos a lua
Nós engravatados
Com pés
Sobre gravetos
Frágeis:
Metáfora cotidiana
Sob as unhas
O lodo do dia
O casco do trote
Nenhuma euforia
Sob as unhas
Eu dormia
E o tempo corria
Em pesadelo
Arrastando
O fulgor
Que deveria ser natural
Dos olhos
20.7.10
NO METRÔ
19.7.10
18.7.10
LUBRIFICANTE
17.7.10
JANELA
'Ensolarava'
A pulsação pusilânime
Vertia tambores
Enquanto a quietude
Estatelava
O azul
Que influenciava outras cores:
Ciranda poética
A tarde
Sobreviria
Sestrosa
Para que a noite
Flutuasse
No limite
Inexaurível da lua
CALMARIA
DATILOGRAFIA
ESCULACHO
Quedou-se
As carambolas
Meus dedos
Perderam
O tato
Que esculacho!
Perdi o rebolado
Ao sair
Ao encalço
Poxa vida!
(Des)fiz-me
Em rimas
Dei vexame
Entornei o vasilhame
Escalei qualquer andaime
Meu Deus!
Não sei o que me deu
Convidei prosa
Aceitou poesia
(Versou meus dias)
15.7.10
PERDIGOTO
Estava torrencial
Brigava com lixos
Telhados
Pessoas,
Carros
Móveis
Cachorros
Brigava
Com aquilo
Que tentasse lhe impedir
A chuva
Estava fenomenal
E no meio
De tanto
Sangue
E grito
Uma voz
Me acalmou:
_ Venha! Nasceu uma flor em nossa janela!
33 ANOS

Tanto choro
14.7.10
INSOLÚVEL

E o amor se enrosca na memória
Saudade é um passarim que me bica para cantar seu nome
Coisa de amigo, é o que sempre digo
Não tem ano que separa
Nem distância que aparta
Porque o que mora nos olhos
Pula dentro do coração
13.7.10
TRANSLAÇÃO
Acomodam
O sono
Do sol
As unhas
Sustentam
A fragilidade
Da chuva
Os lábios
Ciceronam
O voo
Do vento
As mãos
Moldam
A textura
Da terra
Ah!
Para que meu sexo
Pulse
O teor
Do seu fogo
PAUSA
12.7.10
SOLTA
11.7.10
TRANSPARENTE

Absorvo o que maximiza
Dessa alegria desgarrada
Que esvai de seus dedos
Sorri como quem pisa na lua
Monta dragões
E cospe fogo em fogueiras
Retém todo o tempo
Conheço-te sem conhecer
Mais quando chega
Do que vai embora
Mais quando deposita poros
Em minhas mãos
Que quando recolhe roupas íntimas
Reconheço-me em você
Nos potes lacrados de felicidade
Só abertos a quem tem saliva
Nessa época de secura
Reconheço-te em mim
Quando faz viagem espacial
No oceano
Multicor
E chora
Sem pudor
8.7.10
CAMINHADA
Minha cadela
Respiro o agora
Não procuro rostos
Em nuvens
Nem formas
Em rostos
Leve
Mesmo se apressa
Os passos
Entender
A força do acaso
Que essa manhã
Estendi a mão a Carlos Alberto
Nem Drummond
Nem Fernando
Mas um senhor esperto
Eu lhe contei estrelas
No meio da gente
E da gente que passava
Sem espiar
Que a vida não para
Quando para
7.7.10
GALHOS

Minha árvore
Genealógica
É analógica
Estico e podo
Meus galhos
Que se eriçam
Ao vento
E crepitam
Ao sol
Na ponta
De cada um
Deles
Um causo
Estelar
A alumiar
O breu
Que acolhe
As dúvidas
Em caixas
De madeira
Vejo meu pai
Minha mãe
Meus irmãos
Cada qual
A semear
A fertilidade
Que carrego
No ventre
Por onde
Passo
Por onde
Paro
Por onde
Pouso
Aprendi a pedir
Licença
E arrombar
Corações
Desaprendi
A tocar campainhas
E trancar cofres
Minha árvore
Genealógica
É minha
Lógica
6.7.10
ESTIMA
Quero beijo
Que salive
Gozo
Que escorra
Água
Que transborde
Quero o tilintar
Dos cristais
Dentro das cavernas
Pontiagudas
Quero mãos
Ásperas
De poesia
Para me esquentar
O fogo
Que voa
E o bafo
Morno
Me assoprando
A nuca
Branca
Quero o silêncio
Dos monges
Dentro
Dos orgasmos
Escandalosos
Quero pés
Colados
Aos meus
Por baixo
De cobertas
Em cima
De gramas
Quero chuva
Fina
A acariciar
O rosto
Forte
A movimentar
O corpo
Quero o sol
Por fora
Por dentro
Por fora
Por dentro
Por dentro
4.7.10
CIGANA (para Nanda Barreto: http://transitivaedireta.blogspot.com/)

em troca ofereço meus dedos
2.7.10
FREVO
OUTRA ESTAÇÃO

Restaram as folhas secas
E caídas sob meus pés
Molhados
O vivo do vermelho
Ficou para trás
Com o brilho daquele sol
Que a chuva apagou
O coração secou
Como a uma amora
Que se perde na grama
E assim
Distraida
A criança pisa
E o colorido ressurge
Forte
Como aquarela
Na infância
Já é verão!
O calor virá
Os amores virão
29.6.10
PULULA
28.6.10
CASA DOS SONHOS

POETINHA

DO CONTRA
PRECISÃO
NASCIMENTOS
27.6.10
SOPRO
Balançava suave
E azul
Num balé descompromissado
Manhã amena
De sol
A desenhar no teto
Abstrações cotidianas
Um livro era lido
Um chá fervido
Um dia engolido
E nas pálpebras
O calor
PERIÓDICO
De um jornal
E ele vinha
Em branco
Sem notícias
Claro
Como deviam ser os fatos
Dia após dia
seus leitores
Escreviam uma nova história
E o mundo
Tingido de cor
Anunciava
O cinza
Que não mais havia
24.6.10
CAOS
TRAJETO
Com minha poesia
De sangue
Que me aquece e esfria
As vontades
Já é tarde
No céu
E um sol prepara a despedida
Nem louca
Nem tímida
Enquanto aguardo a partida
A minha
Cabelo ao vento
Mochila nas costas
Mundos na cabeça
É São João
Não acendi fogueira
Mas meu coração
Em brasa
Iluminará a estrada
Que se agiganta
Sob meus pés
Que hoje fogem
Do amanhã
Para que o ontem
Nunca termine
23.6.10
IMENSIDÃO

E um lobo
Espreita
A solidão
Que ecoa azul
Não há silêncio
Quando é só silêncio
E nem há barulho
Quando tudo rui
O vale está deserto
E meu lobo
Atinge
O cume