21.7.10

PONTEIROS

Sequestraram o tempo
De nossas próprias mãos
Arrancaram-nos
Sem que percebêssemos
Pois estávamos distraídos
Com o banal
Que suja as pontas
Dos dedos

O tempo passou
E passa
Quando acreditamos
Em sua inércia

Somos títeres
De deuses
Invisíveis
Que duelam
Com fantasmas,
Somos marionetes
À mercê
De uma mercedes
Conversível

Da sorte
Dos dados
Dos passos
Apressados

Estamos atrasados

Lá fora o sol
Urge
Quando engavetamos a lua

Nós engravatados
Com pés
Sobre gravetos
Frágeis:
Metáfora cotidiana

Sob as unhas
O lodo do dia
O casco do trote
Nenhuma euforia
Sob as unhas
Eu dormia

E o tempo corria
Em pesadelo
Arrastando
O fulgor
Que deveria ser natural
Dos olhos

3 comentários:

Marcio Nicolau disse...

Anna, gostei muito.

Marcio Nicolau disse...

"...marionetes
À mercê
De uma mercedes
Conversível..."

O máximo isso! Adoro esses achados.

Marcio Nicolau disse...

Bom dedicar um tempo a leitura dos teus textos.