15.10.10

FRAGILIDADE

Como qualquer objeto
Leve
Que flutua
Ao vento
Ao sopro
Ao sussurro

E pousa
Quieto
Arfante
Em superfície

À espera
À espera
À espera

Do imensurável

12.10.10

É

É, veio morar em mim
Como onda faz com mar

Veio devagar
E cresceu,
Me tomou
Inteira

É, como luz de vela
Me acendeu
E no centro da chama
Despertei

Cílios ao vento

É, cá estou
Erguida
Ao sol

CÃOPANHIA


Meu cachorro marrom
É cadela
Sou dela

No despertar feliz
Que enrosca na cama
Pupilas de mel
Chuva de pêlos

Meu cachorro marrom
É menina
Só minha

Nos passeios
Diários
Nas confissões
Noturnas
Uivos pra lua

Meu cachorro marrom
É linda
E tem ao vento
As cores da Frida

11.10.10

LUTO


A poesia não existe em época de campanha.
A poesia chora sangue pelos filhos teus que a negam desavergonhadamente.
A poesia entra em coma e o pau come.
A poesia clama paz e o povo silencia em guerra.
A poesia desconhece poetas. Poetas?
A poesia é andarilha e faz questão de fugir do caos
Do cais
Dos ais.
A poesia não espera.
A poesia é festa
Em época de lamentação.
A poesia é a feliz contramão.
A poesia me salva
Me samba
Me lambe
Me guia
Nessa época de escuridão.