2.8.10

PEQUENA CRÔNICA DE SEGUNDA

Resolvi escrever uma crônica, e se é crônica, é latente, expressa urgências momentâneas. Aquilo que nos faz querer soltar o verbo, mesmo que seja silábico.
Penso nos títulos que o sistema impõe como se fossem papéis de cartas, selos, figurinhas, tampinhas, carrinhos... Algo 'colecionável', sem mencionar que possuir algo, em série, é sempre temporário. O que não o é?
Existe uma ostentação de identidade entre o emissor, a mensagem e o receptor, muitas vezes o questionador da tão usual ‘o que você é?’. Deve ser por isso que o mundo é pequeno em sua voracidade. As pessoas acreditam ser o que são. E muitas vezes o são mesmo, mas são só isso.
Não carrego emblemas, almejo a cada dia mais céu para minha liberdade. Se posso ser o que quero, para que me ater a só uma possibilidade, ou a duas, ou a três quando posso ficar de quatro sem receios? Ser uma aventureira, ser poeta, ser malandra, ser atriz... Ser brincando de ser sendo.
Sou uma novidade a cada estação, um rompante a cada instante, uma arte a cada olhar. Sempre verde! Em constante estado permanente de parto. Se "nascer é uma alegria que dói", a dor é uma alegria que nasce. Minhas dores são tatuagens, marcam com prazer. E com prazer é mais caro, meus caros.

4 comentários:

Marina Alonso disse...

Em 'E SE A VIDA IMITASSE A ARTE', do Luiz Fernando Veríssimo, o próprio começa a imaginar como seria se todas as pessoas tivessem uma trilha sonora.
Seria patético ter uma trilha sonora. E é o que a sociedade quer, que tenha um diploma, que seja alguém! E se não nos rotulamos, acabamos sendo banidos, subjugados, ignorados...
Que mundo!

Marcio Nicolau disse...

Somos o que somos: inclassificáveis. (Ouviu já esta canção?)

Marcio Nicolau disse...

Sugeri a leitura.

carmen silvia presotto disse...

Anna, entrei aqui por indicação de Márcio e me maravilho com o que agora estou lendo.

Parabéns!

Um abraço e quando der visita Vidráguas(www.vidraguas.com.br) e deixa lá tuas impressões.

Abraços Poéticos!