
Tá tudo aceso em mim! "Estamos no reino da palavra, e tudo que aqui sopra é verbo"
25.12.09
PEDRA

ESTREIA

INVERNO
20.12.09

É TEMPO DE NATAL
E TEMPO MORTO
NÃO CREIO NUM DEUS
EM MEIO A TANTA MALDADE
SÓ CREIO NOS BICHOS
QUE GRAÇAS A DEUS
NÃO SÃO HUMANOS
18.12.09
BRILHO

As estrelas
São minhas
Namoradas
Não há distância
Que impeça
O acender
Me visto Paris
E nada mais é por um triz
28.11.09
RODRIGO

É TANTO AMOR
QUE SE MISTURA
NO AZUL
QUE O CÉU
FAZ DE CONTA
24.11.09
MEMENTO

6.11.09
RITUAL

31.10.09
NASCIMENTO
Ah, se o oposto da morte
É o amor
Abro meu túmulo
Nesse dia
De finados
Que meus corpos
Sejam todos
Remexidos
E reativados
E recuperem o sabor
Das gotas
Derradeiras
Das noites
Mal dormidas
Dos suspiros
Afoitos
De pernas
Insustentáveis
Nos calores
Nos suores
Nas cores
Que tingem de amora
As avenidas
Por onde trafegamos
De mãos dadas
E acontecemos
De outono a outonos
Primavera
23.10.09
ESCALA

Deslizavam
Pelas teclas
Do computador
Como em um piano que ressoa
Pela sala
Pela casa
Pela rua
Pelo bairro
Os dedos escreviam
Palavras
Como notas
Musicais
E a canção era o silêncio
Pela cidade
Pelo país
Pelo universo
Pelo corpo
Habitado por letras
E palavras
E orações
E nenhuma reza era capaz de salvá-la
Desse mundo
Ela queria se perder no quente
Do pulso
19.8.09
ESCRITA

ESCREVO POESIA
COMO QUEM SE DESPE
NÃO É FÁCIL
NÃO É DIFÍCIL
É EXATO
NÃO É EXATO
PODE SER FÁCIL
PODE SER DIFÍCIL
TUDO DEPENDE DO POETA
E DA POESIA
DO INSTANTE
DO IMPULSO
DO EXERCÍCIO
DA LAPIDAÇÃO
DA TREPIDAÇÃO
DO PÊNDULO
EM QUE ELE
SE EQUILIBRA
ENQUANTO NÃO HÁ RESPOSTA
DO MISTÉRIO
EU ESCREVO
QUE ESCREVO
POESIA
(I)MUNDO
AS PERNAS
ESTAVAM
CINZAS
DE TÃO ENCARDIDA
A PELE
NEGRA
FALTAVAM-LHE
UMA BOLA
A ROLAR
VELOZ
PELAS GRAMAS
AFINAL
ERA SÓ
UMA CRIANÇA
MADRUGADA

DA CASA
NÃO IMAGINAM
O CLAMOR
DOS CORPOS,
A FEBRE
INTERNA
QUE PULSA
AO SOM
DA FÚRIA
DO ROCK
O SILÊNCIO
É TUDO
E NADA
O SUOR
É SAL
E ÁGUA
NÃO HÁ RECALQUE
HÁ UMA PERNA
QUE SE ENROSCA
A OUTRA
UMA BOCA
QUE SE COLA
A OUTRA
UM ESPASMO
QUE SE ESPARRAMA
NA CAMA
É...
NO RESTO
DA CASA
LÂMPADAS
SE APAGAM
18.8.09
DAS ALTURAS

28.5.09
TRILHOS

Entrará num expresso
De velocidade
Oscilante
Percorrerá outros
Olhares
Sinais
Céus
Que se espalham
Acolá
Sentarei à espera
Esperarei
Esperarei
Esperarei
...
Retornará
No vapor
Azul
De tanto mar
Grego
Retornará
Abrirei os braços
Sorrisos
Portas
Do verbo escancarar
Ah!
Esse inverno fechará cicatriz
CORTE

A morte
Visitou-me
Num sonho
Nele,
Ela era esperada
(Apesar de inusitada)
Uma faca
Cortou
A carne
(A minha)
Pelas costas
Tornou-me
Estática
Numa dor
Antes
Não imaginada
Com a cara
No chão
Entendi
Que era o fim
Ele
Veio banal
Fui assassinada!
O motivo:
Um vestido
De malha
Que não lhe coubera bem
A autora:
Uma vizinha
Que nem sei o nome
Assim
Sem alarde
Morri
Numa segunda-feira
Num outono
9.5.09
SAMBA BOM (Para Ana Costa)




É samba do bom
Que eu canto
Em qualquer canto
Em qualquer palco
Em qualquer chão
É samba do bom
Que encanto!
Visto meu manto de bamba
Pego o cavaco
Invoco a dança

Está armada a batucada no meu tom
É samba do bom
Que levo e trago
Nesta vida
Sou Portela
Sou Mangueira
Na avenida
E o bom do samba
É sambar até raiar o dia
7.5.09
AVE MARIA
Pra onde ia?
Da vida que se foi Se fez neblina
E a fumaça
Do esquecimento
Era sua guia
Maria só sabia
Da sina das pedras
Das rezas esquecidas
Das cantigas
E das crianças
Da dor colorida
Da televisão sem cor
Da fome e do cão
Maria não sabia
O caminho da estrada
Chutava lata
Soltava pipa
Entrava n'água
Fazia fita
Contava estrela
Na feira
Maria só sabia
Da vida que a levava
Sem casa
Sem sorte
Mas bordava
Sua estória
Com braço forte
2.5.09
SALGADO
25.4.09
PÁSSARO

1, 2, 3, 4...
Muitos
Bater de asas
A perder de vista
Num voo
Rente
Ao carro
Nesse tráfego
Para onde vai o pássaro?
Veloz
No silêncio eco
Dos ventos
Ele passa
Pássaro
E eu no meu canto,
Canto
9.4.09
BRINCADEIRA

Que colorida é a vida
Em suas descobertas
Crianças
Em suas aquarelas
A brincadeira
Sobe e desce
Na face
Do coração
*desenho encantado do meu príncipe sobrinho Vinícius
METADE
E a outra
É a mesma
Lapidada em si
Em estado primitivo
De parto
NO CHÃO
Descartável
Como objetos
De calçada
Soltos
Acima
O céu
Calado
Espreita
O incompreensível
O arranhão
Já não sangra
A dor
É opaca
Mais um passo
Ou o vento
E será desfeita
A cena
Desse amor
Reciclado
22.3.09
O COMEÇO DO FIM
A escolha é sua, o caminho é nosso, a porta deverá ser aberta
O coração deverá ser aberto, a escolha é nossa, o caminho é seu
A escolha deverá ser aberta, o caminho deverá ser aberto, a porta é sua
O coração é nosso, a porta é nossa, o coração é nosso
* homenagem ao gênio criativo do artista Fábio Costaprado